29/10/2008
19/10/2008
Prece Árabe
(traduzida por Seme Draibe)
[Nota da E.v.E: Para os preguiçosos, vale a pela ler inteiro...]
Deus, não consintas
que eu seja o carrasco que sangra as ovelhas,
nem uma ovelha nas mãos dos algozes.
Ajuda-me a dizer sempre a verdade
na presença dos fortes,
e jamais dizer mentiras
para ganhar os aplausos dos fracos.
Meu Deus,
se me deres a fortuna,
não me tires a felicidade ;
Se me deres a força,
não me tires a sensatez;
Se me for dado prosperar,
não permita que eu perca a modéstia,
conservando apenas o orgulho da dignidade.
Ajuda-me a apreciar o outro lado das coisas,
para não acusar meus adversários
com mais severidade do que a mim mesmo.
Não me deixes ser atingido pela ilusão da glória,
quando bem-sucedido,
e nem pela do desespero,
quando derrotado.
Lembra-me que a experiência de uma queda poderá proporcionar uma visão diferente do mundo.
Ó Deus!
Faze-me sentir
que o perdão demonstra força,
e que a vingança é prova de fraqueza.
Se me tirares a fortuna,
deixe-me a esperança.
Se me faltar a saúde,
conforta-me com a graça da fé.
E quando me ferir
a ingratidão e a incompreensão dos meus semelhantes,
cria em minha alma
a força da desculpa e do perdão.
Finalmente Senhor,
se eu Te esquecer,
te rogo que nunca Te esqueças de mim.
(traduzida por Seme Draibe)
[Nota da E.v.E: Para os preguiçosos, vale a pela ler inteiro...]
Deus, não consintas
que eu seja o carrasco que sangra as ovelhas,
nem uma ovelha nas mãos dos algozes.
Ajuda-me a dizer sempre a verdade
na presença dos fortes,
e jamais dizer mentiras
para ganhar os aplausos dos fracos.
Meu Deus,
se me deres a fortuna,
não me tires a felicidade ;
Se me deres a força,
não me tires a sensatez;
Se me for dado prosperar,
não permita que eu perca a modéstia,
conservando apenas o orgulho da dignidade.
Ajuda-me a apreciar o outro lado das coisas,
para não acusar meus adversários
com mais severidade do que a mim mesmo.
Não me deixes ser atingido pela ilusão da glória,
quando bem-sucedido,
e nem pela do desespero,
quando derrotado.
Lembra-me que a experiência de uma queda poderá proporcionar uma visão diferente do mundo.
Ó Deus!
Faze-me sentir
que o perdão demonstra força,
e que a vingança é prova de fraqueza.
Se me tirares a fortuna,
deixe-me a esperança.
Se me faltar a saúde,
conforta-me com a graça da fé.
E quando me ferir
a ingratidão e a incompreensão dos meus semelhantes,
cria em minha alma
a força da desculpa e do perdão.
Finalmente Senhor,
se eu Te esquecer,
te rogo que nunca Te esqueças de mim.
23/09/2008
Primavera
Felícia amarrou o buquê com um laço de fita de seda cor de rosa e o colocou junto a 20 outros buquês de tulipas. O cheiro natural das rosas era inigualável àqueles perfumes tão caros...
Vestida em seu vestido marrom-glacê armado, envolto na cintura por uma longa fita cobre, tratava de carregar no dorso do cavalo aquilo que lhe daria o sustento ou um simples prato de comida para mais tarde à noite... Florista não significava trabalho fácil, hoje em dia nada é tão fácil quanto parece, nem o era há muito tempo atrás.
O chapéu de verão pendia em seu pescoço, preso, mas sem machucar. Ai de quem ousasse tal feito, macular a pele branca e salpicada de estrelas enegrecidas era como pecar o maior pecado do mundo. Felícia era pura e seu sorriso o mais bonito.
Manhã de 1814, o sol ainda tinha sono... Era um vale, um jardim, o quintal do casarão do barão e família. Estavam à beira de um lago, ele deveria ter pagado para faze-lo, havia muito mais dinheiro do que aqueles bolsos agüentariam carregar, ou aquelas cestas cheias de flores que Felícia era encarregada de encher até a borda. Não fosse isso não seria bem paga, ainda que o que recebia era uma miséria.
Mas aquele quintal, embora lhe fizesse ter repulsa pelo esbanjamento do barão e a fizesse erguer um canto dos lábios, lhe dera o melhor presente que poderia desejar em toda sua vida... Quando o sol nascia toda sua luz tocava primeiro os vinhedos e os álamos, e as grandes construções de trepadeiras nos muros altos do casarão. O orvalho era sugado de volta ao céu, e as ervas e gramíneas pareciam balançar a música matinal... Havia flores por todos os lados e cestas rasas para se encher.
Ao abaixar-se Felícia contentou-se em arrancar com certa tristeza nos dedos e olhos uma tulipa corada em vermelho. E uma a uma foi sendo arrancada, enquanto o som de sua música ressoava, a florista irrompeu um canto junto ao coral da mãe natureza... Era primavera!

O chapéu de verão pendia em seu pescoço, preso, mas sem machucar. Ai de quem ousasse tal feito, macular a pele branca e salpicada de estrelas enegrecidas era como pecar o maior pecado do mundo. Felícia era pura e seu sorriso o mais bonito.
Manhã de 1814, o sol ainda tinha sono... Era um vale, um jardim, o quintal do casarão do barão e família. Estavam à beira de um lago, ele deveria ter pagado para faze-lo, havia muito mais dinheiro do que aqueles bolsos agüentariam carregar, ou aquelas cestas cheias de flores que Felícia era encarregada de encher até a borda. Não fosse isso não seria bem paga, ainda que o que recebia era uma miséria.
Mas aquele quintal, embora lhe fizesse ter repulsa pelo esbanjamento do barão e a fizesse erguer um canto dos lábios, lhe dera o melhor presente que poderia desejar em toda sua vida... Quando o sol nascia toda sua luz tocava primeiro os vinhedos e os álamos, e as grandes construções de trepadeiras nos muros altos do casarão. O orvalho era sugado de volta ao céu, e as ervas e gramíneas pareciam balançar a música matinal... Havia flores por todos os lados e cestas rasas para se encher.
Ao abaixar-se Felícia contentou-se em arrancar com certa tristeza nos dedos e olhos uma tulipa corada em vermelho. E uma a uma foi sendo arrancada, enquanto o som de sua música ressoava, a florista irrompeu um canto junto ao coral da mãe natureza... Era primavera!

13/09/2008
Migrando...
Um Relato de Misael é o mais novo blog no qual estou "trabalhando". Peço aos visitantes do "Il Corso del Vento" que, ao acessarem essa mesma página, estejam interligando-se ao link deste post.
Obrigada ^^
Obrigada ^^
08/08/2008
03/08/2008
Eis que surge o "Fantasma Branco", se é que ele já não existia...

Ei amigo, antes de eu ir nós escrevemos uma história aqui. Uma história de impossíveis, na qual sempre nos víamos incapazes de entender um ao outro. Como o canto escuro e o outro claro, e ninguém definia ao certo quem queria o melhor deles... Foram anos de querer o seu bem, anos te defendendo e tentando te defender de alguém que pra você parecia ser a melhor pessoa do mundo. Mas o Vento te leva um recado esta noite, eu nunca fui tão melhor que qualquer um que tentou ser e tentou te mostrar. Mas eu me entreguei, eu vi um dragão cuspindo fogo entre nós dois e não vi forças nos meus braços e nem no meu coração... Eu decidi ir, antes que ele acabasse comigo e não me desse à chance de te amar de longe, amigo... É meu jeito débil de tentar te arrancar o teu gênio interior e molda-lo a um modo mais agradável... Mas eu lembro que essa tentativa é impossível, você já tem um molde, eu não me preocupo... Eu sorrio... Nas tantas vezes que eu gargalhei ao teu lado, procurando fugir das assombrações da madrugada, vendo que você seria minha luz e que dissiparia qualquer horror em questão de abrir uma porta... Mesmo que as pessoas falem que você não é confiável, que leva a mentira em cima de seus ombros, eu sou capaz de ver o que é bom e frutífero que sai de você. A gente brigou muito, é verdade, mesmo com essa barreira ao meio que me deixa tão longe de você. Brigamos horrores, mas não vejo um meio maior para se conseguir entender uma pessoa se sempre se está bem com ela... Você tem os seus companheiros agora e eu tive que ir... Eu espero que você não veja nos olhos deles a mim, e sinta minha falta, porque isso seria agonizante. Seria agonizante sentir a minha falta no que parece que uma linha tênue e fraca, numa distância de milímetros, nos separa e eu não posso esticar a mão e te segurar... Eu estou vestindo meu casaco agora, e minha saia arrasta para bem longe... Eu conheço seus preceitos, conheço seus companheiros, e um deles sempre foi meu fiel escudeiro... Não... Ainda não perdi você completamente...Ah, o peso... Ele não existe mais!
Enfiei-me eu própria no coração uma adaga embebida em veneno, salpiquei areia em meus olhos e gritei... Não por causa da dor agonizante, gritei porque ceguei antes de morrer e não consegui ver-te nem tocar-te. Gritei pois a única coisa que valia e eu tinha dentro de mim estava podre e gelada como cascalho a beira de um lago.
Continua...
25/07/2008
Você consegue entender? Eu não...
Agora eu me encontro ligeiramente só, como a última tora a ser queimada dentro de uma lareira sucumbida em chamas ardentes, esperando para mergulhar numa temperatura tão quente... Eu olho para os lados e vejo estátuas, estátuas que se movem, mas que não possuem sentimentos, não são robôs, são pedra pura. Robôs são programados para amar, estátuas não tem amor... São sólidas como seus inexistentes corações. Robôs podem ter coração, estátuas não... E são elas que eu vejo sempre, entre um sacudir de olhos, entre uma risada alta e outra baixa, entre um levantar de mãos. O Vento, me trás uma mensagem esta noite e ele pede que eu destrua as estátuas, sempre tão quietas, sempre tão amorfas... Mas eu digo ao Vento, acalme-se, vá devagar, talvez pedra pura vire metal encarnado, talvez uma ponte pra atravessar pro outro lado. Lucile me disse uma vez, não aquela boca e aquelas palavras supérfluas que arranhavam a garganta, mas os grandes olhos dourados com cheiro de introspecção e os cabelos vermelhos com gosto de cidra morango. Ela me disse, o Vento, pode ser uma estátua, um robô, um bichinho entre seus braços pedindo pra que o siga na próxima viagem. Lucile, eu lembro que os dedos eram amarelados, toda a palma da mão, e tinha manchas pelo colo, estrelas salpicadas, estrelas escuras num céu bem claro, nublado. E ela carrega um semblante sempre tão sereno, e umas asas enormes nas costas, asas de querubim que arqueavam ao som do Vento, que ela achava que era tão mais próximo que as estátuas. Elas agora estavam corroídas por causa da chuva e das aves. E eu volto a dizer, estátuas são tão patéticas... Eu posso ir lá e chutar uma, meter uma espada no coração delas e retirar estilhaços de pedras que elas nem vão reclamar. Não são como robôs, nem como Lucile, que tinham coração de metal... Mas tinham coração!

P.S.: A citação na coluna a sua esquerda foi alterada.
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