26/06/2011

Boneca de Porcelana.



Eu nunca me esforcei tanto e nem nunca me esforçarei tanto para tentar fazer uma coisa dar certo e ver que eu mesma estrago tudo com tantas tentativas.. frustradas. Eu só queria que nada de ruim acontecesse a longo prazo. Vai ver o problema seja este.. me prendi demais, simplesmente não deixei as coisas acontecerem simplesmente...

Não quero mais... não quero mais brincar de viver. A vida é muito importante para se brincar com ela. Quero ser destituída das dores de não levá-la a sério, das dores de nunca ter tido uma a qual possa classificar como seu real nome: vida. Afinal, não é tão fácil assim possuir uma. Não há lugar para os fracos no mundo e eu sou uma boneca de porcelana. Você me entende? Você pode secar as minhas lágrimas? Nesse caso eu não desperdiçaria minha vida sendo sua pessoa.

03/05/2011

I had a dream..

"Eu tive um sonho...
Sonhei que colocava fogo na sua casa. Na sua cozinha, no seu quarto, na sua sala.
Seu colchão sucumbia, onde eu via você dormir eternamente, sem perturbações.
Sorria, deveria ter pedido por isso. Não se preocupe, se achou que doeria. Na verdade, sua pele vai queimar tão rápido quanto foi você ter quebrado meu coração... e os meus óculos.
Não se preocupe, esse pesadelo vai acabar logo. É só uma questão de tempo para que sua carne queimada vire cinzas e eu varra você da minha vida de uma vez.

Deveria ter pedido por isso, quando bateu no meu rosto com força e rasgou minha pele com suas unhas podres. Vamos brincar de Jeannie é um Gênio, então. A partir de agora, amo, seu desejo é uma ordem".



- Lidiya.. acorde. Acorde! - Liliya sacudia a irmã ao lado, na cama. Sussurrava gritante. Ela não despertava, por mais que a pequena tentasse. Debruçou-se sobre seu corpo, pôs os joelhos de cada lado e então retirou lentamente o travesseiro de cima do rosto dela. Seus olhos estavam arregalados, marcados por lágrimas, a boca entreaberta.
Liliya ria, ensandecida.

16/04/2011

Désirée de Lille

"O demônio de Lille" era a descrição que mais corria entre as bocas que pertenciam a cidade francesa batizada pelo mesmo último nome. A mulher conhecida como aquela que despedaça corações, que deixa um rastro muito peculiar de perfume e destruição provenientes de sua luxúria e bel prazer, aquela que encanta e que atira no abismo, tal qual um diabo, deveria ser condenada.. Subia as escadas de seu retiro particular, não a casa, pois não havia, mas o quarto, o que cheirava a pout-pourri e perfumes caros do bordel mais conhecido da cidade. Lá dentro uma enorme cama em tons românticos tomava o maior espaço do cômodo. O quarto inteiro deixava pairar, além das delícias cheirosas, um ar que refletia puramente o século XIX. Lille deixava-se respirar profundamente, o peito erguia-se e logo retesava-se de volta a manter a postura da mulher a mais impecável. Retirou um cachecol de pele de raposa de sobre os ombros, deixando-o cuidadosamente empoleirado ao encosto da cadeira onde Désirée se sentava agora, de frente a penteadeira lustrosa, chique, talhada em madeira e ouro. Ela contemplava-se através do reflexo. Sorria-lhe, a si mesma. Estava magnifíca, se sentia orgulhosa. Era uma puta de classe, como todas deveriam ser.. Carregava o rosto de uma maquiagem estupidamente forte. Os lábios coravam-se de sangue, os olhos claros como o céu de dia eram delineados em curvas negras marcantes, como seu corpo se definia, possuía as mesmas qualidades. A pele branquíssima das faces eram cobertas por um pó róseo, a pinta única sob o olho esquerdo dava-lhe um ar de poder, sedução. Os homens cairiam a seus pés facilmente, tal qual um tronco podre de árvore.. Vestia-se sublimemente, um corpete listrado verticalmente em vermelho e preto, avolumando seus já fartos seios, deixando as torneadas pernas a mostra. Os cabelos de um breu eterno, pareciam carregar estrelas em todo seu comprimento, mesmo que agora amarrados em um coque sofisticado e atraente. Os saltos eram postos sob as solas dos pés, algo que, como a roupa, se poderia ser retirado, até arrancado, rasgado, com facilidade. Perfumou-se em abundância, o cheiro do quarto já estava se tornando insuportável. Observou-se, se endeusou perante o reflexo em ouro.

- Só mais uma noite, meu bem.. e será o fim. Dissera antes que uma lágrima descesse pelo olho esquerdo e desmanchasse a pinta tão bem marcada.

Contivera-se e após descer a escada, levou um pobre homem a sarjeta.. condenava-o como a ela. Era o que mereciam, todos eles..

21/01/2010

Submissão

§..

Se
ferir-me satisfaz teu eu, então fá-lo com tua melhor arma. Pois o sublime agrado seria perder a vida com graça te rasgando a boca num sorriso.
Se chorar-me satisfaz tua alegria, então provoca-me com as piores dores. Pois o sublime agrado seria perder a felicidade eterna alimentando a tua com estas lágrimas estúpidas.
Se morrer-me satisfaz tua agonia, então mata-me lento. Pois o sublime agrado seria sofrer pouco a pouco e te fazer dormir tranqüilo.
Se enraivar-me satisfaz tua malícia, então dá-me apenas um motivo para enfrentar teus inimigos. Pois o sublime agrado seria enfrentar um a um com o ódio mais flamejante e defender-te do modo mais triunfante.

De
todo, peço-te que encontre a calma que tua alma inspira pelo eterno. Não importa que para isso tenhas de retalhar a minha.
Se meu último grito satisfaz teu coração, acredita-te que assim também estou... Satisfeito. Pois o sublime agrado é amar-te até o fim de meu fôlego, quando já não há o mesmo ar que o teu para que eu respire...

..§

24/11/2009

Areia Ao Vento


Já se foi o tempo em que a gente se escondia e dizia que era brincadeira.
Já se foi o tempo em que a gente disfarçava a inocência numa daquelas voltas de carrossel.
Já se foi o tempo em que entrelaçar as mãos era tão perigoso quanto ver os joelhos desnudos de uma moça.
Já se foi o tempo em que tudo era fantasia.
Virou-se realidade, mesquinha realidade.
Onde o tempo já se foi e esqueceu de me levar, onde o tempo parou e eu esqueci de acompanhar. Onde o sangue escorreu e eu esqueci de estancar...
Já se foi o tempo em que eu acreditava em qualquer coisa: eu aprendi com isso.
Já se foi o tempo em que me cobria até a cabeça com medo dos monstros da noite. Agora me cubro até pela manhã.
Já se foi o tempo em que eu chorei com a primeira morte de um personagem de novela. Agora não posso mais contar quantas piscinas de lágrimas já correram dos meus olhos por coisas reais, pois o tempo em que me preocupava com matemática já se foi...
Virou-se pó, o tempo que eu me preocupava... com qualquer coisa...
Juntei um saco de areia e contei grão por grão, ali estavam os meus amigos. Agorinha mesmo retirei um saquinho de pano do bolso, menor que a ponta do meu dedo mindinho. Abri e sacudi no ar... Perderam-se, pois já se foi o tempo em que eles realmente retornam. E eu devo tudo ao que me forma, ao meu jeito de encarar as coisas.
Cruel realidade: eu cresci, foi inevitável. Já se foi o tempo em que todas as mudanças eram aceitas.

E eu paro por aqui...

07/11/2009

20/07/2009

Ao dia 20 de julho



- Dedicatória aos Amigos -
(aos verdadeiros amigos, porque o que vale é a intenção \o/)

"Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhamos. Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim... do companheirismo vivido. Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre. Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida. Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nas cartas que trocaremos. Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices... Até que os dias vão passar, meses...anos... até este contacto se tornar cada vez mais raro. Vamo-nos perder no tempo.... Um dia os nossos filhos vão ver as nossas fotografias e perguntarão: "Quem são aquelas pessoas?" Diremos...que eram nossos amigos e...... isso vai doer tanto! " Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!" A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...... Quando o nosso grupo estiver incompleto... reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo. E, entre lágrimas abraçar-nos-emos. Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes desde aquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida, isolada do passado. E perder-nos-emos no tempo..... Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida te passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades.... Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"

Fernando Pessoa
 

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